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terça-feira, 25 de dezembro de 2012


NOSSA ATUAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL EM 2012

Com a deputada Benedita da Silva (PT-RJ)


2012 foi um ano de plena atividade da nossa Comissão de Assuntos Políticos (CAP), junto aos parlamentares no Congresso Nacional. Formada por representantes das três Entidades Médicas – CFM/AMB/FENAM, a CAP participou de 48 audiências com deputados e senadores e 17 audiências públicas, onde tratamos de assuntos relevantes de interesse dos médicos e da sociedade. Além das audiências, fizemos análise de mais de 100 projetos que tramitam nas duas Casas Legislativas. É a partir dessa análise dos projetos que direcionamos nossas ações, classificando-os de acordo com suas prioridades e nos posicionando contrários ou favoráveis às matérias. Nossa atividade na CAP tem sido marcada por êxitos no acompanhamento dos Projetos de Lei. Temos apresentado aos parlamentares subsídios técnicos para orientação dos seus relatórios.
Entre os projetos prioritários continua na cabeça da lista o Projeto de Lei que Regulamenta o Exercício da Medicina – ATO MÉDICO. Este PL tramita no Congresso Nacional desde 2002. No último dia 19 de dezembro foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Agora o texto, que não poderá mais ser alterado, segue para votação no Plenário do Senado. Espera- se que até março de 2013 seja finalmente aprovado e vá à sanção presidencial.
Outro projeto polêmico que estamos acompanhando é o PLS 217/2004, de autoria do então senador Tião Viana, que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina, como condição para o exercício da profissão no país. Após a publicação da Resolução CREMESP 239/2012 que institui a avaliação obrigatória para os médicos recém-graduados como condição para obter o registro profissional, o PLS 217/2004 voltou a ser foco de debates no Congresso.

Wirlande da Luz
Presidente do CRM-RR
Representante do CFM na CAP

sábado, 22 de dezembro de 2012



HAICAIS

Séculos antes da invenção das máquinas fotográficas, os japoneses  já eram mestres na arte de fotografar. Fotografavam sem máquinas. Para isso usavam palavras. Suas maravilhosas miniaturas fotográficas feitas com palavras têm o nome de haicais. Quem lê um haicai vê. São tão pequenos - mas pesam tanto! Leminski, valendo-se de uma sugestão de Jorge Luis Borges, descreve um haicai como um objeto poético mínimo de peso intolerável. Não tente entender. Você entende um pôr do sol? Um pássaro em voo? Um sorriso da pessoa amada? Não são para ser entendidos. São para ser visto. O prazer do que se vê está no ato de ver e não no ato de pensar sobre o visto. Os pensamentos prejudicam a visão. Não foi à toa que Alberto Caeiro afirmou que "pensar é está doente dos olhos". Quem lê um haicai fica curado dos olhos por nos obrigarem a não pensar. Veja esse haicai: "Na velha casa que abandonei as cerejeiras florescem". Acabou. É só isso. Agora, sem ser levado pelo desejo de compreender, entregue-se à visão. Veja a casa velha. A casa que abandonei. Passei por ela. Triste solidão. Os muros estão caídos. O jardim de outrora se transformou num matagal. As paredes estão descascadas. Mas, a despeito desse abandono, as cerejeiras florescem... As cerejeiras são fiéis. Pode-se confiar nelas...
                                                                                      Rubem Alves


O voo 0666

"Senhores passageiros do voo 0666, Paris-São Paulo, da TARIG, linhas aéreas democráticas". A voz soou na sala do aeroporto onde os passageiros aguardavam o início do embarque. Cessaram imediatamente as conversas, fez-se silêncio e os passageiros trataram de prestar atenção nas instruções que se seguiriam. A voz continuou: "A TARIG, linhas aéreas democráticas, no esforço para democratizar os seus serviços, avisa aos senhores passageiros que dentro de alguns minutos terá início uma assembléia livre e soberana para a escolha democrática do piloto que comandará o voo Paris-São Paulo. Os candidatos poderão se inscrever no balcão da empresa devendo, para isso, preencher as seguintes condições: (1) ser maior de idade; (2) dar prova de ser capaz de assinar o nome". Fez-se um grande silêncio na sala de embarque. Os passageiros olharam uns para os outros, incrédulos, pegaram suas bolsas, pastas e mochilas e em silêncio deixaram vazia a sala da TARIG, linhas aéreas democráticas, e foram em busca de uma linha aérea que, sem ser democrática, fosse inteligente e que escolhesse seus pilotos por competência e não por voto da maioria.
Rubem Alves

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SEXO RACIONAL

Santo Agostinho colocou essa questão de maneira muito precisa ao elogiar o fato de Abraão haver engravidado sua escrava Hagar a fim de ter um filho, posto que Sara, sua mulher, era estéril. Diz o santo que Abraão agiu de maneira racional, por dever e não por prazer. Ele não gozou ao transar com Hagar. Estabelece-se um problema fisiológico: "É possível ejacular sem prazer?".
                                                                                    Rubem alves

sábado, 15 de dezembro de 2012



EXPLICAÇÕES QUE OFENDEM

O rei estava reunido com seu ministério e tratava de dar explicações para uns gastos com banquetes gastronômicos. Os ministros, sem acreditar, faziam de conta que acreditavam. Mas o bobo, um dos ministros do rei (todo governo deveria ter um bobo da corte...), deu uma risadinha e comentou em voz alta: "Majestade, há explicações que são piores que uma ofensa... ". O rei ficou furioso, expulsou o bobo e declarou que, se ele não explicasse essa declaração absurda até o fim do dia, iria passar uma semana no calabouço. O bobo sumiu. O rei, cansado, ao fim de um dia de explicações, ia sozinho por um corredor do palácio, corredor este decorado com grandes colunas de mármore. Atrás de uma delas estava o bobo escondido, pronto a provar sua tese. Quando o rei passou, o bobo pulou e agarrou as nádegas do rei. O rei deu um grito de susto e raiva. E o bobo se desculpou: "Perdão, Majestade, eu pensei que fosse a rainha...". Estava provada a tese de que há explicações que são piores que uma ofensa.
                                                                                   Rubem Alves


EXAME DE APTIDÃO


Para o estudo de certas profissões exige-se que o candidato passe por um exame de aptidão. É o caso da música. Não basta desejar ser músico. É preciso ter as qualificações necessárias para a profissão de músico. Eu acho que o mesmo deveria ser obrigatório para aqueles que querem ser professores. Um teste de aptidão para os candidatos ao magistério seria: o candidato seria solto num pátio onde se encontram crianças. Se ele se enturmasse com elas, desse risadas e participasse de suas brincadeiras, seria aceito. Caso contrário, deveria procurar outra profissão, ainda que tivesse tirado dez em todas as provas teóricas.
                                                                                   Rubem Alves 

Eu aqui, me atrevo a acrescentar a minha opinião ao texto de Rubem Alves: para aqueles que querem ser médicos deveria ter um teste de aptidão onde o candidato, antes de fazer a prova do vestibular, seria solto dentro de um grande hospital no Serviço de Urgência. Se ele não se incomodasse com o mal cheiro, conversasse com os pacientes e acompanhantes com paciência, tocasse no paciente com carinho, se indignasse com a falta de condições de trabalho oferecidas pelos hospitais públicos e demonstrasse verdadeiramente GOSTAR DE GENTE, seria aceito para cursar medicina. Caso contrário, deveria procurar outra profissão, ainda que fosse aprovado em primeiro lugar no vestibular. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SOBRE OS DOIS TIPOS DE POLÍTICA


Santo Agostinho sugere que há dois tipos de política. A política do "poder do amor", que é a que ele deu o nome de Cidade de Deus, e a política do "Amor ao poder", a que ele deu o nome de Cidade dos Homens. Tudo tem a ver com a forma como "poder" e "amor" se relacionam. Pensada utopicamente, a política do "poder do amor" pode ser definida como a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas, buscando estabelecer a harmonia entre o homem e a natureza. Nessa política, o poder é ferramenta e instrumento do amor: esse é o sentido da ética. Ética é, sempre, limitação do poder. Pensada realisticamente, a "política do amor ao poder" é o conjunto de artimanhas que tem por objetivo estabelecer o poder de um grupo sobre um determinado território. Nessa política, os sonhos de amor estão subordinados e a serviço do poder. O que significa que nela o poder é o valor supremo e não existe uma ética que o controle.
                                                                                    Rubem Alves